A construção do caso clínico em Psicanálise: do impossível à escrita
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v14i28.6086Resumo
Este artigo tomou como ponto de partida as especificidades da pesquisa psicanalítica, com ênfase para o método da construção do caso clínico e seus desdobramentos na formulação do saber em Psicanálise. Assim, buscou elucidar aquilo que do caso pode ser extraído de mais singular e seus efeitos de transmissão, bem como o que pode ser recolhido de sua escrita. Trata-se de um estudo teórico, de caráter ensaístico, baseado em revisão bibliográfica de autores clássicos e contemporâneos da Psicanálise (Freud, Lacan, Figueiredo, Dunker etc.). Nesse sentido, a questão do método, em Psicanálise, por muito tempo ficou relegada a uma discussão secundarizada, na qual o rigor metodológico se confundia com a própria noção de estilo e, como efeito, o desenvolvimento inadvertido de pesquisas com pouca ou nenhuma preocupação em apresentar os passos seguidos pelo pesquisador ao longo de sua pesquisa. O caso clínico, por sua vez, é o produto do que se extrai das intervenções do praticante de Psicanálise na condução do tratamento e do que é decantado de seu relato. Trata-se, por excelência, do método clínico que faz avançar a teoria e a formulação dos conceitos psicanalíticos. A sua construção aponta para um caminho que concebe o singular em sua radicalidade e, por isso, demarca uma relação não-toda diante do saber, que, para Lacan, está sempre do lado do sujeito. Por fim, a construção do caso clínico, e seus efeitos de transmissão, convida a uma escrita que marca o estilo do praticante, singularizando e formalizando a travessia do seu percurso como analista.