http://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/issue/feedAnalytica: Revista de Psicanálise2026-04-09T11:26:40-03:00Magali Milene Silvaanalytica@ufsj.edu.brOpen Journal Systems<p><strong>Linha editorial</strong></p> <p style="text-align: justify;">A <em>Analytica: Revista de Psicanálise</em> tem como finalidade publicar investigações/desenvolvimentos teóricos, relatos de pesquisa, debates, entrevistas e resenhas que contenham análises, críticas e reflexões sobre temas, fatos e questões a partir do referencial psicanalítico. Publica também artigos voltados à interlocução entre a psicanálise e outros campos de saberes - como a filosofia e as ciências sociais - igualmente dedicados ao pensamento sobre a sociedade e a cultura. As propostas para publicação devem ser originais, não tendo sido publicadas em qualquer outro veículo do país. Publicam-se artigos em quatro línguas: português, espanhol, inglês e francês.</p> <p><strong>Editorial line </strong></p> <p>The <em>Analytica: Revista de Psican´álise</em> goals to publish research / theoretical developments, research reports, debates, interviews and reviews that contain analyzes, critiques and reflections on issues, events and issues from psychoanalysis. It also publishes articles focused on the dialogue between psychoanalysis and other fields of knowledge, such as philosophy and social sciences, also dedicated to thinking about society and culture. Proposals for publication must be original and has not been published in any other vehicle in the country. Articles are published in four languages: portuguese, spanish, english and french.</p> <p><img src="http://periodicos.ufsj.edu.br/public/site/images/lepidus/mceclip0-1fe643dba5f2f9afa27a6d46aec02ce3.jpg" alt="" width="640" height="599" /></p>http://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5648Incidências da dimensão de musicalidade da voz em relação à transferência na clínica psicanalítica2025-04-17T12:13:50-03:00Suzane Sulentasuzanesulenta@gmail.comLiani Maria Hanauer Favrettosuzanesulenta@gmail.comCláudio Kazuo Akimoto Júniorsuzanesulenta@gmail.com<p><span style="font-weight: 400;">Este trabalho propõe uma aproximação entre a dimensão musical da voz e a clínica psicanalítica, articulando os campos da música, da voz e da psicanálise a partir da escuta de psicanalistas de orientação lacaniana. Com foco na musicalidade da voz e sua implicação na transferência, adotou-se uma abordagem qualitativa e exploratória, fundamentada no método de amostragem em bola de neve e psicanalítico. Foram realizadas entrevistas com quatro psicanalistas, cujos relatos clínicos revelaram como a voz – em seus aspectos rítmicos, sonoros e afetivos – opera como elemento fundamental na escuta do inconsciente. As vinhetas analisadas evidenciam que a voz pode sustentar o desejo, instaurar ressonâncias entre analista e paciente e constituir-se como suporte para a emergência da transferência. Silêncios, balbucios, repetições e musicalidades não convencionais aparecem como formas expressivas que favorecem o encontro clínico e possibilitam o surgimento de uma fala singular. A voz, nesse contexto, não é apenas veículo de significação, mas meio de afetação e inscrição subjetiva. Além disso, destaca-se que a formação do analista também passa por sua capacidade de escuta – uma escuta que se afina com o ritmo do outro, sustentada pela transferência e marcada por um ponto surdo diante do objeto a. Assim, mais do que responder à pergunta inicial –Quais as implicações da musicalidade da voz em relação à transferência na clínica psicanalítica? –, este estudo busca delinear possíveis caminhos de investigação entre diferentes campos do saber, sem a pretensão de esgotar o tema. Ao contrário, procura lançar novas perguntas e indicar conexões que possam inspirar futuros estudos sobre as interfaces entre voz, música e subjetivação na clínica psicanalítica.<br />rtografado, houve nesse trabalho a tentativa de reunir incidências da dimensão musical da voz na clínica psicanalítica que se direcionam a promover articulações entre o campo musical, a voz e a psicanálise. Para isso, priorizou-se os aspectos voltados à musicalidade presente na voz e sua relação com a transferência. Na metodologia adotada, optou-se pela pesquisa de cunho qualitativo e exploratório, utilizando-se do método psicanalítico. Participaram da pesquisa cinco psicanalistas, que foram entrevistados por meio da plataforma do google meet. O problema condutor do estudo foi: Quais as implicações da musicalidade da voz frente à transferência na clínica psicanalítica? À questão, surgiram diferentes relatos dos entrevistados que apontam possíveis cartografias da voz na prática clínica. Na primeira seção, a voz desponta como meio de sustentação do desejo, tanto na relação paciente-analista como para a estruturação psíquica da paciente. Ecos e ressonâncias denunciam os efeitos que passam a surgir nos caminhos da análise na segunda vinheta, que apresenta a produção da voz como compositora de um encontro entre paciente e analista. Desse encontro, na terceira seção, a transferência convida analista e paciente a dançarem conforme a música que é composta entre a alternância de sons, ritmos e palavras. Da música da palavra, a voz, na quarta seção, se apresenta como a possibilidade de uma escrita que permite um dizer sobre a própria história. Por fim, as marcas na formação de um analista que precisa estabelecer um ponto surdo frente ao objeto </span><em><span style="font-weight: 400;">a</span></em><span style="font-weight: 400;"> como mais-de-gozar, constituído pela transferência com o primeiro analista, para poder ouvir apenas a musicalidade da voz da analista, que o convida a advir.</span></p>2025-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5468O mal-estar contemporâneo e os transtornos de ansiedade: aprofundamento psicanalítico sobre a crescente dessa categoria de diagnóstico e sua relação com aspectos culturais da atualidade2025-01-23T18:45:02-03:00Lucas Gabriel Bavieralucasbaviera@gmail.com<p>Propõe-se neste artigo aprofundar, a partir de uma chave de leitura de referencial psicanalítico, como se dá algumas categorizações de sofrimento contemporâneas, centralizadas no psicodiagnóstico dos chamados transtornos de ansiedade. Freud problematiza, por meio de seu conceito de mal-estar, como a forma de adoecer e sofrer psiquicamente está intrinsecamente relacionada com as organizações estruturais da cultura em que o sujeito está inserido. Tendo como embasamento a metodologia de revisão bibliográfica, apoiada em Freud, Birman e Han, além de outros autores em complementaridade, este artigo objetiva mapear noções da subjetividade predominantes da cultura contemporânea, especificamente aquelas que dialogam com as noções categóricas da nosologia dos transtornos de ansiedade. O percurso desta revisão levou a compreender como as modalidades de sofrimento da contemporaneidade, organizadas por Birman em três registros (o corpo, o excesso e a intensidade), se relacionam com os transtornos de pânico, de ansiedade generalizada e de estresse pós-traumático. Tendo como referência essa relação estabelecida, compreende-se, em termos gerais, como essas manifestações de sofrimento ultrapassam os modelos clássicos das neuroses de transferência, relacionada à angústia de castração, para se adequarem a outras categorias clínicas, como as neuroses atuais ou à clínica do trauma.</p> <p><span style="font-weight: 400;"><strong>Palavras-chave</strong>: Transtornos de ansiedade. Psicanálise contemporânea. Mal-estar na cultura.</span></p>2025-08-28T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5646Um rastro de Objeto pulsional na Ode de Ariana para Dionísio, de Hilda Hilst (1974/2018)2025-05-26T13:56:07-03:00Hellen Cristina Queiroz de Freitashellenfreitaspsicologia@gmail.comRoseane Freitas Nicolauroseane@ufpa.brCamila Backes dos Santoscamibackes@gmail.com<p>O artigo propõe ressaltar a riqueza da interface entre psicanálise e literatura e assinalar a possibilidade que uma obra literária tem para esclarecer conceitos e elucidar questões clínicas, o que não escapou a Freud ao utilizar poemas, romances e obras de arte, quando a ciência não lhe oferecia as ferramentas para explicar fenômenos subjetivos. Seguindo essa lógica, a discussão presente gira em torno do conceito de Objeto, Pulsão e Eu, tomando como mote os cânticos de Ariana para Dionísio extraídos da obra poética de Hilda Hilst chamada Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé: de Ariana para Dionísio (1974), em que o jogo presença-ausência do amado sugere investimento objetal que permite tracejar uma discussão central em torno da relação entre o cântico/clamor de Ariana por Dionísio e o rastro de trabalho psíquico que o investimento pulsional traceja, como sintomática saudosa pela presença-ausência de um Objeto de desejo. Nesse cenário, diante da ordinariedade humana e da grandeza celeste de um Objeto do Olimpo de escritores/as brasileiros/as, foi alcançada uma possibilidade interpretativa de que Dionísio, o coadjuvante de Hilda Hilst (1974/2018), perfaz um Objeto pulsional capaz de colocar a protagonista, Ariana, na posição faltosa em franco trabalho desejante.</p>2025-10-03T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5241O pacto narcísico da cisgeneridade: divagações psicanalíticas sobre a ofensa da nomeação2025-05-17T11:37:12-03:00Bruno Latini Pfeilbrunopfeil8@gmail.comCello Latini Pfeilmltpfeil@gmail.com<p align="justify">Assim como, segundo Cida Bento, a branquitude produz alianças em vias de se preservar por meio de um pacto narcísico, compreendemos que a cisgeneridade se imiscui no narcisismo da branquitude, como postula Viviane Vergueiro. Sendo assim, desenvolvemos a ideia de um pacto narcísico da cisgeneridade. Colocando-nos em posição de analistas e afirmando-nos como “o monstro que vos escuta”, a partir de Paul B. Preciado, deparamo-nos com uma reação de rejeição à nomeação da norma, uma vez que a cisgeneridade institucional utiliza como estratégia fundamental de seu pacto narcísico a negação de sua conceituação; ou seja, a norma se naturaliza e, com isso, almeja sua conservação. Temos como objetivo mostrar que, a partir de alianças narcísicas e da recusa, as normatividades modernas/coloniais se autopreservam e se presentificam, dentre outros espaços, nos saberes psicanalíticos. Para trilhar esse caminho, temos como metodologia a revisão bibliográfica, por meio da qual associamos a noção freudiana de narcisismo à definição de pacto narcísico, de Cida Bento; à Outridade, de Grada Kilomba; à ofensa da nomeação, de Pfeil & Pfeil. Dessa maneira, concluímos que a cisgeneridade, como estrutura de dominação, opera por meio de pactos narcísicos e mecanismos de defesa do ego, atribuindo à Outridade as corporalidades que não a reflitam.</p>2025-10-08T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5604A performatividade da linguagem injuriosa e os limites do reconhecimento jurídico como resposta ao discurso de ódio2024-11-02T22:54:57-03:00Samuel de SousA Nantessamuelnantespsi@gmail.comInacio Antonio Silva de Marizinaciomariz25@gmail.comEdgley Duarte de Limaedduartelima@hotmail.com<p>O que está em jogo quando levamos uma interpelação do contexto da vida cotidiana para o aparato jurídico do Estado? É possível o Estado dar conta das intermediações das linguagens de forma satisfatória aos seus intermediadores? Recorremos a uma análise conceitual sobre o discurso de ódio para analisar as consequências, impasses e questões implicadas nesses processos. Vamos pensar, levando em consideração os ensinamentos de Judith Butler, maneiras de expandir uma compreensão do discurso de ódio como consequência da norma, por intermédio do uso performativo da linguagem, como meio de construir respostas na própria cena em que a injúria aparece como exercício de opressão. A autora requisita meios de uma ação no próprio espaço onde acontece o discurso de ódio como uma aposta na capacidade de agência do sujeito pela via da não conformação à gramática de imposição de poder. Além disso, utiliza a linguagem como modo performativo de ação e a via pela qual a estrutura fantasmática do discurso injurioso contra o outro pode ser tocada, transformada e reposicionada, produzindo com isso uma nova forma para o universalismo.</p>2025-10-21T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5650“Uma prostituta abre a porta do quarto e encontra o pai”: análise estrutural de um mito da prostituição feminina dita de luxo2025-05-29T13:39:04-03:00Natânia Lopesnatanialopes@id.uff.br<p style="font-weight: 400;">Partindo de uma pesquisa em antropologia, o artigo utiliza os referenciais teóricos da psicanálise para refletir a questão do recalque do desejo incestuoso na constituição da família e da civilidade ocidental moderna. Para tanto, analisa uma história coletada em trabalho de campo com observação participante sobre a prostituição feminina dita de luxo, no Rio de Janeiro. História essa, repetidas vezes contada entre prostitutas, aqui tomada como um mito, em termos straussianos, e que narra o encontro de uma prostituta com o pai, na cena do programa. O texto busca, então, explorar os sentidos dessa história, no contexto etnográfico em que ela emerge, passeando também por outros contextos, a fim de indicar a circulação do mito (e variantes), no imaginário social a respeito da prostituição, em um cenário mais amplo. A presente discussão é articulada pela seguinte questão: De que maneira o mito em tela relaciona o problema econômico-moral do sustento, viabilizado pelo trabalho, com a ordem familiar tradicionalmente prescrita como modelo da sociedade moderna ocidental? Os resultados desta análise apontam para a importância do trabalho feminino na dinâmica subjacente de desejos que organizam a família e a sexualidade. Com isso, conclui-se, por meio do exame do mitema que nomeia o artigo, que o assombro e a angústia demonstrados pelas mulheres e representados pelo encontro mítico com a figura do pai no ambiente da prostituição relaciona-se ao conflito de significações que emerge desse contexto.</p>2025-10-03T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5478A magia empalidecida e a fal(h)a que insiste: tramas da linguagem e restos do Real na psicanálise2025-02-25T17:19:22-03:00Carolina Dal col ViannaCarolinadalcolviana@gmail.comClaudia Aparecida de Oliveira Leiteclaudia.leite@uemg.br<p>O presente trabalho, oriundo de uma pesquisa teórica em psicanálise, pretende interrogar o poder da fala, dando destaque a alguns conceitos que se articulam no campo da linguagem. O lugar privilegiado da fala, em psicanálise, tem seu início com Sigmund Freud, na clínica com as histéricas, que, sustentado pela transferência, privilegiava escutá-las, dando início ao método da cura pela associação livre. Adiante, este estudo resgata a dimensão simbólica da palavra, com base no método de análise estrutural linguístico e no conceito de eficácia simbólica de Claude Lévi-Strauss. Para tal elaboração, situa-se o fundamento do retorno a Freud instituído por Jacques Lacan. Desse desdobramento teórico, este artigo estabelece que a linguagem, ao proferir algo do não sentido, manifesta em si o registro do Real e denuncia uma parte da verdade do sujeito que escapa à ordem simbólica. Portanto, o poder da fala estaria entre a magia empalidecida da linguagem e a fal(h)a que insiste e nos leva ao estatuto do Real. </p>2025-10-21T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5647A construção do trauma na vida e obra de Maya Angelou (1928-2014)2025-04-23T17:41:19-03:00Maria Letícia Medeiros Duarteleticiamedeiros005@gmail.comJordany Alves Barretojordanybrto@gmail.comYorran Hardman Araújo MontenegroYorran_Montenegro@outlook.com<p>O abuso sexual infantil tem consequências terríveis para o desenvolvimento saudável do indivíduo. Entre as intervenções que a psicanálise oferece para tratar desse tipo de caso, a simbolização por meio da arte aparece como alternativa para amenizar a realidade psíquica do trauma. O presente trabalho visa identificar essa simbolização explorada no trauma resultante de abuso sexual relatado na autobiografia da escritora estadunidense Maya Angelou, Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, em consonância com a análise do poema “Bater na criança já era ruim o suficiente”, também de sua autoria. Foram abordadas as definições de trauma para Freud, Winnicott, Ferenczi e Lacan, enfatizando a importância da arte e da linguagem na produção escrita para a compreensão do sofrimento psíquico. A leitura Winnicottiana de trauma – que o concebe especialmente como fracasso de um objeto idealizado em desempenhar sua função preconcebida – é evidentemente identificada com o abuso sexual que Maya experienciou por parte de seu padrasto devido às confusões de sentimentos relatados por ela. Já as ideias lacanianas sobre a importância da linguagem e de seus significantes, estrutura primordial da sua psicanálise, podem ser expressas a partir da análise de vida e obra da autora, a qual encontrou na produção literária uma alternativa para simbolizar seu sofrimento. Observa-se, portanto, a relevância dessa vertente de estudo na psicanálise, bem como as vantagens de estudos de caso extraídos de autobiografias, considerando o modo de escrita (na maioria dos casos fluxo de consciência) como congruente à livre associação, basilar para a leitura psicanalítica.</p>2025-10-08T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5448Elaborações e empecilhos do luto na infância: estudo de produções textuais psicanalíticas entre 2020 e 20242024-06-18T20:06:20-03:00Emanuelle Schuwart Fornasier Rossimanufornasier@gmail.comLucas Guilherme Fernandeslucasguilhermefernandes@gmail.com<p>O luto é um processo experienciado decorrente de uma perda, que pode ocorrer em qualquer fase da vida, inclusive na infância. Apesar disso, assuntos relacionados à morte, ainda hoje, continuam sendo tabu para muitas pessoas. Devido a essa construção cultural, a concepção acerca da morte, por parte dos adultos, pode tornar-se um empecilho para a elaboração do luto das crianças, ao colocarem-nas em uma situação de recusa e privação desse momento, utilizando elementos fictícios para justificar a perda. Assim, a presente pesquisa objetivou compreender as particularidades da experiência de perda no período da infância, considerando a falta de informação fornecida às crianças como um impedimento para o trabalho de luto realizado por elas. Por meio de uma revisão bibliográfica de artigos e livros que abordaram a temática do luto na infância, sobretudo, de direção psicanalítica, puderam-se evidenciar a necessidade de ofertar às crianças a participação nos ritos e o diálogo sobre a morte e o luto em face da importância para a elaboração. Com isso, ressalta-se, ainda, imprescindível a realização de mais estudos relativos à temática como forma de disseminar a realidade do luto, também vivenciado pelas crianças como experiência válida, com as particularidades discutidas. </p> <p> </p> <p><strong>Palavras-chave</strong>: Luto infantil. Luto da Criança. Psicanálise.</p>2025-09-25T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5606A operação antifilosófica da teoria do significante em Lacan2025-02-26T13:57:14-03:00Alberto Warmling Candido da Silvaalbertowarmling@gmail.comVinicius Anciães Darribaviniciusdarriba@gmail.com<p>O presente artigo aborda a teoria do significante, tal como articulada por Lacan, em conjunto com os aspectos filosóficos que sua proposta levanta. Nossa tese é que há uma operação antifilosófica presente na assimilação do conceito de significante em Lacan. Propomos, como argumento central, que alcançar a radicalidade dessa assimilação requer uma crítica a determinadas posições históricas da filosofia, concernente particularmente à tradição metafísica. Para tanto, inicialmente, no artigo apresentamos a questão da antifilosofia em Lacan, tendo como fundamento o trabalho do filósofo Alain Badiou como guia nessas tomadas de posição em relação à filosofia. Com essa apresentação, desejamos levantar os aspectos que se referem às consequências epistemológicas do significante e as questões provocadas pela antifilosofia lacaniana. Como objetivo, a partir dessa leitura, percorremos a construção histórica da concepção lacaniana de significante e realizamos um debate entre antifilosofia e temas centrais, como o sentido, o inconsciente, a metáfora e a metonímia. Ao final, estabelecemos que a relação entre filosofia e psicanálise, na via antifilosófica, não sinaliza simplesmente uma crítica ou rejeição ao filosófico, mas a possibilidade de uma razão ou verdade que aceita a determinação significante. </p>2025-08-28T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5655Sofrimento psíquico ou transtorno mental?: Impasses clínico-políticos entre demanda e acolhimento2025-04-02T16:41:27-03:00Daniela Santos Bezerradanielabezer@gmail.comMaria Lívia Tourinho Morettoliviamoretto@usp.brKaren Alves Pazkaren.alvespaz@usp.brJulia Kalinda de Oliveira Cardoso juliakalinda2014@gmail.comNatalia Lucas Pereiranatalialucas7@usp.brKaique Canalle Teixeira kaisquer@usp.brLuigi Alaburda Vetere luigi.vetere@usp.br<p>O presente artigo deriva da pesquisa de pós-doutorado realizada em cooperação entre instituição de ensino e Secretaria de Estado de Saúde entre os anos de 2021 e 2023, partindo da questão da “não adesão ao tratamento” em saúde mental. Com o objetivo de coletar elaborações das equipes da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) quanto aos impasses clínico-políticos cotidianos em momento de ruptura da Reforma Psiquiátrica e de eclosão da pandemia da covid-19, o artigo tem como metodologia analisar questões emergidas nas discussões de caso com os profissionais, sob os fundamentos da psicanálise de orientação lacaniana. A partir da indagação dos pesquisadores quanto a “casos difíceis” (tentativas de suicídio, automutilação, “autoboicote” e à “não adesão ao tratamento”), extrai-se, como resultado, a diferença entre o acolhimento/tratamento do sofrimento psíquico e a classificação/recolhimento/medicalização do transtorno mental. Constata-se que a impossibilidade da escuta e da construção interdisciplinar gera um “limbo assistencial”, substituído por ações de recolhimento em instituições filantrópicas, entre outras formas de intervenção que retroalimentam demandas no campo do sofrimento psíquico. O artigo aponta, como conclusão, a necessidade de qualificação das equipes que compõem a Raps com supervisão clínico-institucional/territorial, entre outras implementações. Traz, como contribuição para a Raps, os principais sustentáculos da clínica psicanalítica: a transferência, em sua face de resistência e a pulsão de morte. <br /><br /></p>2025-09-25T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5562Correlações entre a pulsão de morte e a guerra à luz da transição para a segunda tópica freudiana2025-05-13T19:12:51-03:00Virginio Martins Gouveiavirginiomgouveia@gmail.com<p>O escopo geral do nosso artigo é oferecer uma exposição que transita pelas noções de pulsão (Trieb), pulsão de morte (Todestrieb) e guerra (Krieg). Teremos como ponto de partida a obra de Freud e sua correspondência com Albert Einstein. Propomos um excurso histórico-conceitual sobre a categoria da pulsão, mobilizando-a à luz da passagem para a segunda tópica freudiana, a fim de analisar o advento do conceito de pulsão de morte e sua potência explicativa para compreender a persistência histórica de grandes conflitos bélicos. Nosso objetivo é demonstrar como os conceitos metapsicológicos freudianos podem propiciar ferramentas críticas à reflexão sobre a guerra, além de determinismos sociopolíticos, sublinhando assim a dimensão psíquica da agressividade humana. </p>2025-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5919Um ato clínico e político: a escuta insurgente em tempos de supressão do sujeito2025-10-21T12:00:19-03:00Elizabeth Fátima Teodoroelektraliz@yahoo.com.br2025-10-22T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5969Da oferta da palavra à aposta no laço social: a conversação como dispositivo metodológico de pesquisa em Psicanálise2025-12-10T15:25:38-03:00Cristina Moreira Marcoscristinammarcos@gmail.comAna Clara Rocha Francoanaclararfranco@gmail.comBruna Monteiro Hallakbrunahallakpsi@gmail.com<p>Neste artigo, propomos delimitar o uso da conversação especificamente como dispositivo metodológico de pesquisa em Psicanálise para então refletir sobre seus impasses e possibilidades clínico-institucionais. Por meio da pesquisa bibliográfica, o percurso metodológico se desenhou da seguinte forma: partimos da circunscrição da pesquisa em Psicanálise, que prioriza o sujeito e seu saber a partir das noções de inconsciente, transferência e associação livre. Em seguida, procedemos pela apresentação da conversação como dispositivo de pesquisa e intervenção em Psicanálise, a partir de seu contexto de surgimento e da caracterização de seu modo de funcionamento. Por fim, abordamos a conversação como aposta no laço social e via de tratamento do real. Como resultado, constatamos que, mais do que um simples método de investigação, a conversação constitui também uma intervenção no campo pesquisado, cujo objetivo é tocar o ponto de real do sujeito, permitindo que emerjam não apenas as narrativas individuais, mas também o sem-sentido que provoca surpresa. As conversações são, antes de tudo, uma metodologia de pesquisa que faz uma aposta no laço social e se configura como uma via de tratamento do real. Um dispositivo metodológico, nesse sentido, não deve ser entendido apenas como um recurso de coleta de dados, mas como um instrumento capaz de produzir novos saberes e de possibilitar intervenções. </p>2025-12-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5963Cena e dramaturgia da política na narrativa de uma estudante negra: operando com o dissenso2025-12-09T11:58:19-03:00Jacqueline de Oliveira Moreirajacqdrawin@gmail.comKeren Clementina Martins Françakerencmf21@ufmg.brKarinne Vieira de Jesuskarinnevieira.jesus@gmail.comRodrigo Goes e Limarodrigo.goeselima@gmail.comAndréa Maris Camposandreamcguerra@gmail.com<p>Neste artigo, pretende-se recortar uma cena narrada por uma jovem universitária negra sobre a conexão e a comunicação de uma avó com a neta. Escutou-se a cena em um contexto de pesquisa que buscava localizar os modos e meios de superação, enfrentamento e tratamento dos efeitos do racismo em uma instituição universitária e no contexto da política de ações afirmativas. Além disso, o texto tenta pensar formas inventivas de interpretação de resultados em pesquisa qualitativa. Inspirando-se no método da cena de Rancière, escutou-se a cena narrada e lembrada pela jovem, em que a avó descascava a cana-de-açúcar e a dava para a neta chupar, como uma cena que guarda temas caros à história da população negra brasileira, mas oferece uma nova cena de partilha que pode quebrar as hierarquias e oferecer a emergência do novo. </p>2025-12-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5973Pesquisa psicanalítica e serendipidade: o relance2025-12-11T11:09:24-03:00Bruno Vasconcelosvasconcelosbruno451@gmail.comMarta Regina de Leão D’Agordmarta.dagord@ufrgs.br<p>Este trabalho busca debater o tema das metodologias no campo de pesquisa em Psicanálise a partir da serendipidade, termo que significa o encontro com um bem que não se procurava e que pode ser elevado a um método de pesquisa. Isso ocorre devido à temporalidade específica do trabalho em Psicanálise, ao qual só é atribuído um sentido em um momento posterior. A importância da temporalidade no só-depois ou no relance (em alemão Nachträglichkeit, e em francês après-coup) supõe a retroação de sentido para um evento. Além disso, as diferentes teorizações do inconsciente requerem uma epistemologia própria para abordá-lo como objeto de pesquisa, pois é necessário levar em consideração que não é possível uma hipótese predefinida, visto que o inconsciente é aquilo que escapa ao saber. Sendo assim, somente poderá ser considerado por meio de seus efeitos, como os atos falhos, chistes e sintomas. Nosso trabalho aproxima a serendipidade do papel relevante dos acasos, como Thomas Kuhn mostrou em sua pesquisa sobre a história das ciências. Por fim, resgatamos a etimologia de metodologia com a intenção de ressaltar o caráter de percurso que ocorre na construção de um saber por meio da prática de pesquisa.</p>2025-12-15T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5970Escrevivência e Psicanálise: pesquisa, clínica e formação2025-12-10T15:31:25-03:00Fábio Santos Bispofabio.bispo@ufes.brTayná Celen Pereira Santostaynacelen@gmail.com<p>Este artigo discute a intersecção entre a escrevivência como metodologia articulável à Psicanálise e três diferentes níveis ou dimensões de transmissão da clínica psicanalítica: uma dimensão clínica, articulada à própria vivência ou experiência da análise; uma dimensão didática, que articula a política de escrita com a transmissão e o ensino da Psicanálise; e uma dimensão epistêmica, que implica a construção de um campo de saber que não descarte o sujeito, seu corpo, sua vida e sua história. Propomos que há, nas três dimensões, a tentação de reduzir o real ao saber e que a escrevivência se propõe como uma via oposta, que desloca essa redução ou encobrimento. Retomamos algumas referências sobre a função do matema e da letra, tal qual Lacan expõe em lituraterra, para pensarmos a afinidade entre as escrevivências e a transmissão da Psicanálise. Utilizamos a referência da releitura que Conceição Evaristo faz de Macabéa para delimitar a importância política e clínica que essa prática da escrita implica para a escuta da negritude, do feminino e de saberes periféricos, subalternizados e/ou dissidentes. </p>2025-12-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5964Deixar que o feminino se escreva como método: a escrita do impossível na pesquisa em Psicanálise2025-12-09T12:10:58-03:00Elizabeth Fátima Teodoroelektraliz@yahoo.com.brWilson Camilo Chavescamilo@ufsj.edu.br<p>Este artigo propõe uma metodologia de pesquisa em Psicanálise, denominada “escrita do impossível”, concebida para investigar o feminino como operador clínico e conceitual, justamente por sua resistência à formalização tradicional e à lógica do todo. Em vez de reduzir o feminino a um objeto de representação conceitual, assume-se que ele se inscreve como impossível, sendo exatamente essa lógica que orienta o método. Fundamentada em uma abordagem teórico-clínica, a escrita do impossível se estrutura a partir de quatro princípios norteadores: (i) a lógica lacaniana do não-todo; (ii) a temporalidade freudiana do só-depois (Nachträglichkeit); (iii) a articulação com a semiótica tensiva, que orienta uma leitura-escuta sensível às intensidades; e (iv) a ética da clínica do escrito, que transita entre escuta e formalização. A metodologia propõe uma torção da escuta à leitura, introduzindo o conceito de (f)ato clínico como construção e acolhendo o não-saber como eixo ético de rigor e orientação do saber. Assim, a escrita do impossível se afirma como uma metodologia que permite que o feminino não seja apenas tematizado, mas se escreva como método, conduzindo a pesquisa a encarnar, e não apenas expor, a lógica de seu objeto.</p>2025-12-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5972Psicanálise aplicada?: Sobre o uso da teoria psicanalítica nas pesquisas2025-12-11T10:56:19-03:00Fuad Kyrillos Netofuadneto@ufsj.edu.brMaria Gláucia Pires Calzavaraglauciacalzavara@gmail.com<p>A partir da experiência docente na disciplina Seminário de Pesquisa (SEMP), de um Programa de Pós-Graduação em Psicologia, este artigo investiga os desafios metodológicos recorrentes enfrentados por pesquisadores em Psicanálise no ambiente acadêmico. O trabalho identifica uma tendência preocupante: a utilização precipitada e acrítica de conceitos psicanalíticos como “respostas prontas”, em detrimento da elaboração cuidadosa de problemas de pesquisa originais. Esse fenômeno, nomeado por nós como “ansiedade metodológica”, leva a uma repetição dogmática da doutrina, dificultando a inovação e a crítica. O artigo argumenta que esse impasse se aprofunda por uma dinâmica paradoxal: ao mesmo tempo que concede um estatuto epistemológico privilegiado à Psicanálise, ele a amputa de seu enraizamento clínico e histórico. Para contrapor essa lógica, os autores propõem que a metodologia em Psicanálise seja entendida não como um conjunto de regras, mas como: a) resistência à urgência por conclusões, valorizando o tempo lógico da elaboração; b) superação da mera imitação de autores canônicos, incentivando uma leitura crítica e criativa, que evite a “mortificação” da voz autoral do pesquisador; e c) inserção da Psicanálise em um programa de epistemologia histórica das ciências humanas. Como contribuição central, o artigo defende a necessidade de os pesquisadores desenvolverem “marcas autorais”, construindo problemas de pesquisa que dialoguem, de forma crítica e advertida, com as complexidades da realidade social brasileira. A proposta é formar investigadores capazes de empregar a Psicanálise como um referencial de investigação crítica, e não como um repertório dogmático, fomentando, assim, uma produção de conhecimento psicanalítico ao mesmo tempo rigorosa e singular.</p>2025-12-15T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/6080A metodologia psicanalítica em pesquisa: o uso de entrevistas e análise de dados na investigação de fenômenos sociais2026-04-01T11:16:21-03:00Arthur Kelles Andradearthur.kelles@gmail.com<p>Este artigo explora os fundamentos epistemológicos e metodológicos da pesquisa psicanalítica focando a aplicação da entrevista a fenômenos sociais e políticos. A metodologia psicanalítica se afasta dos paradigmas científicos tradicionais de neutralidade, ancorando-se na implicação do pesquisador. Mesmo fora do consultório, a pesquisa psicanalítica é definida como clínica, pois exige a sustentação do discurso analítico. Destaca-se a entrevista como um instrumento metodológico privilegiado que, ao ser operado pela escuta analítica (atenção flutuante e associação livre), transcende a mera coleta de dados. O eixo central dessa abordagem é a transferência, que é entendida como operador metodológico. O saber não é considerado um dado prévio a ser extraído do sujeito, mas algo produzido na relação transferencial, que envolve o pesquisador. Na análise de dados, realizada a posteriori sobre o material transcrito, o método psicanalítico utiliza a redução significante para identificar significantes mestres, repetições e pontos de gozo no discurso. Em vez de buscar generalizações, a análise valoriza o detalhe e se concentra no que escapa ao sentido manifesto, como o não-dito, os silêncios e as evitações no discurso. Conclui-se que, ao sustentar a escuta e a transferência, a entrevista se mostra como um método psicanalítico rigoroso para investigar a dimensão inconsciente singular presente no laço social.</p>2026-04-06T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/6079A Psicanálise é o seu método: a impossibilidade da dissociação entre a pesquisa e a clínica na operação de uma mudança de posição subjetiva2026-04-01T11:11:41-03:00Marina Mendes Fiorenzamarinamfiorenza@gmail.comRita Manso de Barrosritamanso2008@gmail.com<p>O objeto do presente artigo é a articulação entre método, pesquisa e clínica em Psicanálise. Nosso objetivo é examinar como Freud chegou ao método psicanalítico por excelência, a associação livre, demonstrando como é impossível desarticular a pesquisa da clínica no campo psicanalítico. A metodologia consistiu na análise dos conceitos elaborados, principalmente, por Freud e Lacan, articulando-os ao método psicanalítico. Em um segundo momento, investigamos por que o cogito cartesiano cria a possibilidade da Psicanálise, possibilitando o despojamento do sujeito de suas qualidades, mostrando como a Psicanálise é uma ciência. Discutimos, ainda, a posição do analista-pesquisador, que não é estritamente equivalente àquela do analista, mas não se faz sem um atravessamento do seu discurso, de maneira que o analista trabalha “como uma besta” (Freud, 1900-1901/1996, p. 554), independentemente do espaço no qual esteja inserido, inclusive na universidade. Concluímos apontando que o estatuto científico da Psicanálise se sustenta, precisamente, em seu método, que indissocia clínica e pesquisa e torna possível a mudança de posição subjetiva do analisante.</p>2026-04-06T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/6086A construção do caso clínico em Psicanálise: do impossível à escrita2026-04-01T14:10:02-03:00Edgley Duarte de Limaedduartelima@hotmail.comMarina Diniz Luna do Nascimentomarinaluna.psi@gmail.com<p>Este artigo tomou como ponto de partida as especificidades da pesquisa psicanalítica, com ênfase para o método da construção do caso clínico e seus desdobramentos na formulação do saber em Psicanálise. Assim, buscou elucidar aquilo que do caso pode ser extraído de mais singular e seus efeitos de transmissão, bem como o que pode ser recolhido de sua escrita. Trata-se de um estudo teórico, de caráter ensaístico, baseado em revisão bibliográfica de autores clássicos e contemporâneos da Psicanálise (Freud, Lacan, Figueiredo, Dunker etc.). Nesse sentido, a questão do método, em Psicanálise, por muito tempo ficou relegada a uma discussão secundarizada, na qual o rigor metodológico se confundia com a própria noção de estilo e, como efeito, o desenvolvimento inadvertido de pesquisas com pouca ou nenhuma preocupação em apresentar os passos seguidos pelo pesquisador ao longo de sua pesquisa. O caso clínico, por sua vez, é o produto do que se extrai das intervenções do praticante de Psicanálise na condução do tratamento e do que é decantado de seu relato. Trata-se, por excelência, do método clínico que faz avançar a teoria e a formulação dos conceitos psicanalíticos. A sua construção aponta para um caminho que concebe o singular em sua radicalidade e, por isso, demarca uma relação não-toda diante do saber, que, para Lacan, está sempre do lado do sujeito. Por fim, a construção do caso clínico, e seus efeitos de transmissão, convida a uma escrita que marca o estilo do praticante, singularizando e formalizando a travessia do seu percurso como analista.</p>2026-04-06T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/6081Psicanálise e racismo: um caminho metodológico possível2026-04-01T13:31:34-03:00Joice Beatriz Efigênio dos Santosjoice.santos@ip.ufal.brSusane Vasconcelos Zanottisusane.zanotti@ip.ufal.br<p>Este artigo investiga as implicações psíquicas do racismo no Brasil, utilizando a Psicanálise como aporte teórico-metodológico. Inicialmente, revisita as principais elaborações de Freud e Lacan acerca de fenômenos segregatórios e evoca as investigações brasileiras de pós-graduação pioneiras nas discussões psicanalíticas sobre os efeitos psíquicos do racismo. Assim, estabelece o referencial necessário para a análise de aspectos clínicos, estruturais e gerais da constituição do sujeito perpassada pela racialidade. A construção de um caso clínico e o uso da marca do caso como operador metodológico fundamentam a investigação dos efeitos singulares do racismo. No caso Mariana, a experiência de nomeação em seu núcleo familiar evidencia como o racismo — presente na estrutura social — implica sua relação com o próprio corpo e a subjetividade. Conclui-se que esta análise permite adentrar nas possíveis saídas e na emergência do sujeito diante dos atravessamentos do discurso racista, reforçando a potência da Psicanálise para a investigação dos efeitos do racismo na contemporaneidade.</p>2026-04-06T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/6082Da neutralidade à implicação: considerações sobre a construção de um espaço psicanalítico de escuta grupal2026-04-01T13:44:44-03:00Beatriz Morais Adlerbeatrizadler31@gmail.comPerla Klautaupklautau@uol.com.br<p>Este artigo discute os conceitos de neutralidade e implicação na Psicanálise a partir da experiência do projeto de extensão “Tá na Roda: intervenções clínico-políticas em espaços educacionais”, desenvolvido no Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O projeto cria espaços de escuta grupal com orientação psicanalítica voltados à elaboração de sofrimentos de origem social. Desde 2021, o campo de atuação é um pré-vestibular social cujo público-alvo são, majoritariamente, jovens entre 17 e 25 anos moradores de favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro. A proposta busca articular pesquisa, intervenção e clínica, questionando a valorização da neutralidade e da objetividade típica das ciências modernas. A pesquisa-intervenção oferece um referencial para reconhecer as interferências das pesquisadoras e valorizar a produção de conhecimento construída com os jovens. Levando em consideração as posições de pesquisadoras e ao mesmo tempo de psicóloga com orientação psicanalítica, é possível refletir sobre os lugares de escuta e a responsabilidade ético-política da pesquisa, em prol da formulação de um trabalho implicado e situado. Defende-se, então, a ética da reserva e da implicação, que preconiza que o analista coloque em reserva partes da sua vida e, ao mesmo tempo, se implique no encontro com o outro e os afetos ali produzidos. Assim, a discussão sobre a neutralidade e a implicação na pesquisa e na clínica psicanalítica visa construir uma epistemologia situada no seu território de atuação e aberta para discutir as responsabilidades éticas de sua presença. </p>2026-04-06T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/6085Entrevistas semiestruturadas em pesquisa psicanalítica: uma aposta na emergência do sujeito do inconsciente2026-04-01T14:04:12-03:00Maycon Rodrigo da Silveira Torresmrstorres@id.uff.brMatheus Coutinho dos Santos Alvesmacountinhoa@gmail.com<p>A pesquisa em Psicanálise tem sua gênese na descoberta do inconsciente por Freud, que instituiu a associação livre e o estudo de caso como dispositivos fundamentais para articular tratamento e investigação. Este artigo tem por objetivo examinar a pertinência do uso de entrevistas semiestruturadas em pesquisas orientadas pela Psicanálise. Para tanto, foi realizada uma revisão bibliográfica sobre os métodos de pesquisa empregados por Freud e retomados por Lacan, bem como de trabalhos contemporâneos que discutem a articulação entre entrevistas semiestruturadas e Psicanálise. A teoria psicanalítica avança a partir da singularidade de cada caso, que simultaneamente desafia e enriquece o corpo conceitual universal. Ao postular que o inconsciente é estruturado como uma linguagem, Lacan introduz ferramentas topológicas que formalizam a teoria, deslocando o saber psicanalítico da interpretação de significados para a análise das estruturas lógicas que regem o discurso do sujeito. Nesse sentido, a transmissão do saber psicanalítico por meio do artigo científico apresenta desafios metodológicos. Observa-se uma tensão entre a especificidade da metodologia psicanalítica e as exigências dos comitês de ética em pesquisa, sobretudo no contexto brasileiro. Normas como o consentimento informado e a confidencialidade colocam obstáculos à publicação de casos clínicos, recurso central da Psicanálise. Como alternativa possível no cenário acadêmico atual, propõe-se o uso de entrevistas semiestruturadas, que permitem o acesso à fala do participante, preservam a ética psicanalítica e sustentam o compromisso com o avanço da teoria, ao apostar na emergência do sujeito do inconsciente por meio da pluralização das formas de enunciação.</p>2026-04-06T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/6084A escrita do acontecimento: o fragmento clínico como método e transmissão em Psicanálise2026-04-01T13:55:16-03:00Ana Luisa Sanders Brittoanasandersb@gmail.comMusso Grecomussogreco@gmail.com<p>Este artigo investiga o fragmento clínico como um método singular de pesquisa e transmissão em Psicanálise, articulando a prática clínica à teoria psicanalítica de orientação lacaniana. A partir da experiência do “Desembola na Ideia”, projeto de extensão vinculado à Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, o artigo visa fundamentar como a escrita do acontecimento, tal como se apresenta pelo fragmento clínico, se apresenta como um método de pesquisa em Psicanálise, definida por uma irrupção de singularidades na prática clínica, que porta uma forma de transmitir o Real da experiência psicanalítica. O problema central da investigação questiona como o fragmento clínico pode ser legitimado e utilizado, no contexto acadêmico e na comunidade analítica, como uma metodologia de pesquisa e transmissão da Psicanálise. O texto discute a escrita com o fragmento clínico que não se dá de forma ilustrativa, mas que se manifesta na contingência da experiência clínica. Para isso, a metodologia utilizada é a pesquisa teórico-conceitual articulada à prática clínica, a partir do material extraído da experiência clínica e artística do Desembola na Ideia. Conclui-se que o fragmento clínico, como escrita de um acontecimento, constitui um modo privilegiado de formalizar e transmitir o efeito de Real da prática analítica, portanto fundamenta uma metodologia específica de investigação em Psicanálise. Por fim, esse método permite que a Psicanálise se reinvente e produza uma forma de pesquisa que valoriza a singularidade de cada caso e contribui para o avanço teórico do campo.</p>2026-04-06T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Analytica: Revista de Psicanálisehttp://periodicos.ufsj.edu.br/analytica/article/view/6083Sujeito e pertencimento: torções psicanalíticas diante das políticas públicas de ações afirmativas2026-04-01T13:50:29-03:00Roberto Calazanscalazans@ufsj.edu.brMaria Caroline Cardoso Gomesmcarollinec@gmail.com<p>Quais reflexões metodológicas se impõem à Psicanálise quando atende sujeitos que foram sistematicamente segregados na sociedade brasileira, mais especificamente no território universitário? Tendo isso em vista, propomos uma reflexão psicanalítica sobre o sujeito e a noção de pertencimento no contexto das políticas públicas de ações afirmativas. Com base nas escutas clínicas e grupos de conversação, nota-se que as políticas públicas, ao promoverem o acesso de grupos historicamente excluídos a espaços institucionais, como a universidade, produzem efeitos subjetivos que tensionam as formas tradicionais de reconhecimento e identificação. A partir da teoria psicanalítica, buscamos elucidar a relação do discurso do capitalista na inscrição e percepção dos efeitos da produção de significantes massificados. O conceito de monossintoma é utilizado como ferramenta teórica para sustentar essa leitura. Assim, a proposta com os grupos de conversação passa pelo lugar de oferecer escuta para as torções que os sujeitos realizam para pertencer ao território universitário, sem perder de vista as marcas do inconsciente e da história coletiva que o atravessam. Assim, o pertencimento, mais do que uma identidade fixa, constitui-se como um processo em constante elaboração.</p>2026-04-06T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Analytica: Revista de Psicanálise