A Psicanálise é o seu método: a impossibilidade da dissociação entre a pesquisa e a clínica na operação de uma mudança de posição subjetiva
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v14i28.6079Resumo
O objeto do presente artigo é a articulação entre método, pesquisa e clínica em Psicanálise. Nosso objetivo é examinar como Freud chegou ao método psicanalítico por excelência, a associação livre, demonstrando como é impossível desarticular a pesquisa da clínica no campo psicanalítico. A metodologia consistiu na análise dos conceitos elaborados, principalmente, por Freud e Lacan, articulando-os ao método psicanalítico. Em um segundo momento, investigamos por que o cogito cartesiano cria a possibilidade da Psicanálise, possibilitando o despojamento do sujeito de suas qualidades, mostrando como a Psicanálise é uma ciência. Discutimos, ainda, a posição do analista-pesquisador, que não é estritamente equivalente àquela do analista, mas não se faz sem um atravessamento do seu discurso, de maneira que o analista trabalha “como uma besta” (Freud, 1900-1901/1996, p. 554), independentemente do espaço no qual esteja inserido, inclusive na universidade. Concluímos apontando que o estatuto científico da Psicanálise se sustenta, precisamente, em seu método, que indissocia clínica e pesquisa e torna possível a mudança de posição subjetiva do analisante.