Psicanálise e racismo: um caminho metodológico possível
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v14i28.6081Resumo
Este artigo investiga as implicações psíquicas do racismo no Brasil, utilizando a Psicanálise como aporte teórico-metodológico. Inicialmente, revisita as principais elaborações de Freud e Lacan acerca de fenômenos segregatórios e evoca as investigações brasileiras de pós-graduação pioneiras nas discussões psicanalíticas sobre os efeitos psíquicos do racismo. Assim, estabelece o referencial necessário para a análise de aspectos clínicos, estruturais e gerais da constituição do sujeito perpassada pela racialidade. A construção de um caso clínico e o uso da marca do caso como operador metodológico fundamentam a investigação dos efeitos singulares do racismo. No caso Mariana, a experiência de nomeação em seu núcleo familiar evidencia como o racismo — presente na estrutura social — implica sua relação com o próprio corpo e a subjetividade. Conclui-se que esta análise permite adentrar nas possíveis saídas e na emergência do sujeito diante dos atravessamentos do discurso racista, reforçando a potência da Psicanálise para a investigação dos efeitos do racismo na contemporaneidade.