Entrevistas semiestruturadas em pesquisa psicanalítica: uma aposta na emergência do sujeito do inconsciente
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v14i28.6085Resumo
A pesquisa em Psicanálise tem sua gênese na descoberta do inconsciente por Freud, que instituiu a associação livre e o estudo de caso como dispositivos fundamentais para articular tratamento e investigação. Este artigo tem por objetivo examinar a pertinência do uso de entrevistas semiestruturadas em pesquisas orientadas pela Psicanálise. Para tanto, foi realizada uma revisão bibliográfica sobre os métodos de pesquisa empregados por Freud e retomados por Lacan, bem como de trabalhos contemporâneos que discutem a articulação entre entrevistas semiestruturadas e Psicanálise. A teoria psicanalítica avança a partir da singularidade de cada caso, que simultaneamente desafia e enriquece o corpo conceitual universal. Ao postular que o inconsciente é estruturado como uma linguagem, Lacan introduz ferramentas topológicas que formalizam a teoria, deslocando o saber psicanalítico da interpretação de significados para a análise das estruturas lógicas que regem o discurso do sujeito. Nesse sentido, a transmissão do saber psicanalítico por meio do artigo científico apresenta desafios metodológicos. Observa-se uma tensão entre a especificidade da metodologia psicanalítica e as exigências dos comitês de ética em pesquisa, sobretudo no contexto brasileiro. Normas como o consentimento informado e a confidencialidade colocam obstáculos à publicação de casos clínicos, recurso central da Psicanálise. Como alternativa possível no cenário acadêmico atual, propõe-se o uso de entrevistas semiestruturadas, que permitem o acesso à fala do participante, preservam a ética psicanalítica e sustentam o compromisso com o avanço da teoria, ao apostar na emergência do sujeito do inconsciente por meio da pluralização das formas de enunciação.