A escrita do acontecimento: o fragmento clínico como método e transmissão em Psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v14i28.6084Resumo
Este artigo investiga o fragmento clínico como um método singular de pesquisa e transmissão em Psicanálise, articulando a prática clínica à teoria psicanalítica de orientação lacaniana. A partir da experiência do “Desembola na Ideia”, projeto de extensão vinculado à Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, o artigo visa fundamentar como a escrita do acontecimento, tal como se apresenta pelo fragmento clínico, se apresenta como um método de pesquisa em Psicanálise, definida por uma irrupção de singularidades na prática clínica, que porta uma forma de transmitir o Real da experiência psicanalítica. O problema central da investigação questiona como o fragmento clínico pode ser legitimado e utilizado, no contexto acadêmico e na comunidade analítica, como uma metodologia de pesquisa e transmissão da Psicanálise. O texto discute a escrita com o fragmento clínico que não se dá de forma ilustrativa, mas que se manifesta na contingência da experiência clínica. Para isso, a metodologia utilizada é a pesquisa teórico-conceitual articulada à prática clínica, a partir do material extraído da experiência clínica e artística do Desembola na Ideia. Conclui-se que o fragmento clínico, como escrita de um acontecimento, constitui um modo privilegiado de formalizar e transmitir o efeito de Real da prática analítica, portanto fundamenta uma metodologia específica de investigação em Psicanálise. Por fim, esse método permite que a Psicanálise se reinvente e produza uma forma de pesquisa que valoriza a singularidade de cada caso e contribui para o avanço teórico do campo.