Sujeito e pertencimento: torções psicanalíticas diante das políticas públicas de ações afirmativas
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v14i28.6083Resumo
Quais reflexões metodológicas se impõem à Psicanálise quando atende sujeitos que foram sistematicamente segregados na sociedade brasileira, mais especificamente no território universitário? Tendo isso em vista, propomos uma reflexão psicanalítica sobre o sujeito e a noção de pertencimento no contexto das políticas públicas de ações afirmativas. Com base nas escutas clínicas e grupos de conversação, nota-se que as políticas públicas, ao promoverem o acesso de grupos historicamente excluídos a espaços institucionais, como a universidade, produzem efeitos subjetivos que tensionam as formas tradicionais de reconhecimento e identificação. A partir da teoria psicanalítica, buscamos elucidar a relação do discurso do capitalista na inscrição e percepção dos efeitos da produção de significantes massificados. O conceito de monossintoma é utilizado como ferramenta teórica para sustentar essa leitura. Assim, a proposta com os grupos de conversação passa pelo lugar de oferecer escuta para as torções que os sujeitos realizam para pertencer ao território universitário, sem perder de vista as marcas do inconsciente e da história coletiva que o atravessam. Assim, o pertencimento, mais do que uma identidade fixa, constitui-se como um processo em constante elaboração.