A metodologia psicanalítica em pesquisa: o uso de entrevistas e análise de dados na investigação de fenômenos sociais
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v14i28.6080Resumo
Este artigo explora os fundamentos epistemológicos e metodológicos da pesquisa psicanalítica focando a aplicação da entrevista a fenômenos sociais e políticos. A metodologia psicanalítica se afasta dos paradigmas científicos tradicionais de neutralidade, ancorando-se na implicação do pesquisador. Mesmo fora do consultório, a pesquisa psicanalítica é definida como clínica, pois exige a sustentação do discurso analítico. Destaca-se a entrevista como um instrumento metodológico privilegiado que, ao ser operado pela escuta analítica (atenção flutuante e associação livre), transcende a mera coleta de dados. O eixo central dessa abordagem é a transferência, que é entendida como operador metodológico. O saber não é considerado um dado prévio a ser extraído do sujeito, mas algo produzido na relação transferencial, que envolve o pesquisador. Na análise de dados, realizada a posteriori sobre o material transcrito, o método psicanalítico utiliza a redução significante para identificar significantes mestres, repetições e pontos de gozo no discurso. Em vez de buscar generalizações, a análise valoriza o detalhe e se concentra no que escapa ao sentido manifesto, como o não-dito, os silêncios e as evitações no discurso. Conclui-se que, ao sustentar a escuta e a transferência, a entrevista se mostra como um método psicanalítico rigoroso para investigar a dimensão inconsciente singular presente no laço social.