A TERRITORIALIZAÇÃO DO PROGRAMA ACADEMIA DA SAÚDE EM SOBRAL-CE
ENTRE JUSTIÇA E INJUSTIÇA ESPACIAL
Palavras-chave:
justiça espacial, Programa Academia da Saúde, políticas públicas de saúde, cidadania, qualidade de vidaResumo
O presente artigo analisa como a territorialização do Programa Academia da Saúde (PAS), na cidade de Sobral-CE, expressa e produz situações de justiça e injustiça espacial. Parte-se do entendimento de que a saúde é um direito social atravessado por desigualdades socioespaciais e de que a justiça espacial constitui uma importante ferramenta teórico-analítica para compreender a distribuição territorial das políticas públicas de saúde. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, orientada por uma perspectiva dialético-crítica, articulando pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa de campo realizada nos dois polos do PAS localizados nos bairros Cohab III e Dom José. Os dados foram organizados e analisados com base na Análise de Conteúdo. Os resultados mostram que a territorialização do PAS em Sobral é contraditória, pois, ao mesmo tempo em que amplia o acesso público à promoção da saúde em bairros periféricos, fortalece vínculos comunitários e contribui para a cidadania e a qualidade de vida, também apresenta cobertura territorial limitada, desigualdades de acessibilidade e barreiras que restringem o acesso ao programa. Conclui-se que o PAS não pode ser interpretado de forma linear como uma política apenas justa ou injusta, uma vez que sua espacialidade produz simultaneamente inclusão e exclusão. Assim, o estudo contribui para o debate da justiça espacial no campo da Geografia da Saúde, ao evidenciar que a efetivação do direito territorial à saúde depende não apenas da existência formal da política pública, mas da forma como ela se distribui, se organiza e alcança os diferentes sujeitos e territórios da cidade, bem como seus usos, apropriações e vivências.
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