BANHEIRO DE GENTE

OS BANHEIROS DO CAP-UERJ COMO UMA BRECHA PARA A EXISTÊNCIA TRANS

Autores

Resumo

O presente trabalho tem por objetivo compreender como os banheiros do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp-UERJ), notadamente o “banheiro de gente” e o “banheiro estagiários”, são forjados como espacialidades formativas para os licenciandos da universidade. Dentro de uma lógica em que a noção binária e dicotômica de gênero se produz e reproduz no espaço escolar os banheiros neutros emergem, portanto, como uma falha às arquiteturas desenhadas sob a égide das normas e parâmetros cisgêneros. Para isso, através de uma cartografia (Alvarez; Passos, 2009) composta por trabalhos de campo, regências e experimentações junto ao 7º ano do ensino fundamental, coloco em jogo minha própria vivência enquanto estagiário do CAp, a fim de entender como banheiros não generificados abrem brechas para diferentes possibilidades de existência e afirmam a presença de pessoas trans na educação básica. Nesse sentido, em constante diálogo com autores assentados no campo das geografias feministas (Silva; Ornat; Chimin Junior, 2023), que ratificam a importância das epistemologias trans (Preciado, 2019) discutimos possibilidades de visibilizar vivências trans-generificadas no espaço escolar. Apresentamos, portanto, como horizonte de ocupação a relação inter-escalar entre corpos dissidentes, entendidos como espaços existenciais (Barbosa, 2023; Lima, 2023) e a necessária reestruturação da escola como uma das táticas possíveis para criar condições de permanência na educação básica. A inclusão deste debate, grafado nas placas e portas do CAp-UERJ, traz elementos fundamentais para (re)pensar uma formação docente na qual a diferença faça parte dos currículos, da imaginação das geografias e da presença de todos os corpos no Instituto.

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Biografia do Autor

Remí Teixeira Campinas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Graduando em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Ana Carolina Barbosa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutora em Geografia (UFF) e Professora Adjunta na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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Publicado

2026-01-02

Como Citar

Campinas, R. T., & Barbosa, A. C. (2026). BANHEIRO DE GENTE : OS BANHEIROS DO CAP-UERJ COMO UMA BRECHA PARA A EXISTÊNCIA TRANS. Revista Territorium Terram, 9(esp. 1), 85–101. Recuperado de http://periodicos.ufsj.edu.br/territorium_terram/article/view/5834